canto de Hraunbakafjörður


tradução, não autorizada, de uma das observações do K13 Cosmic Observatory, da Islândia.

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Maria despertou de um sono irrequieto e correu para o telescópio. sentou-se, com o cabelo ainda entortado pela cama e a necessidade de café suprimida pela imensa curiosidade, e espreitou. através do telescópio fez os raios dos seus olhos tabelarem numa nuvem gorda e dirigirem-se, ignorando os conselhos do espaço e do tempo, para o fiorde com o qual havia sonhado.

havia problemas em Hraunbakafjörður, no Noroeste da Islândia. os nobres noruegueses, derreados de infectarem os islandeses com vírus católicos, decidiram dormir uma sesta.
a cabra-lagarta-albina-bicórnea aproximou-se silenciosamente, colou as mãos dos nobres, palma contra palma, com o seu cuspo mágico indestructível, e afastou-se contendo as gargalhadas. depois mergulhou no fiorde e disse à Hidra que os nobres estavam a comer kleina [bolo típico islandês] e não queriam dar nada a ninguém. a Hidra ficou furiosa. emergiu das águas e vociferou:
- como vos atreveis, vis forasteiros, a contaminar estas nobres terras com os dentes bolorentos da avarícia?
os noruegueses acordaram, aterrorizados e confusos, sem compreenderem o motivo da confusão.
com a boca aquecida pela fúria, a Hidra berrou:
- com que então, além de gananciosos sois mentirosos! o que escondeis em vossas ímpias mãos?
e o medo petrificou os nobres, porque não conseguiam abrir as mãos e provar a sua inocência. sentiram que o fim se aproximava, e o mijo correu morno pelas suas pernas abaixo. e a Hidra invocou vinte e nove fogos e meio. e a mais jovem das cabeças da besta, ainda sensível à violência ígnea, desmaiou - para grande regozijo da traiçoeira cabra-lagarta-albina-bicórnea.

Maria, tal como a cabra, passou toda a manhã a rir.








a imagem pertence ao
Augsburger Wunderzeichenbuch (o Livro dos Milagres)
- um estranho e poderoso manuscrito criado na
Cidade Imperial Livre de Augsburgo, na Suábia (Alemanha), no século XVI.